Assédio Sexual no Trabalho: O que fazer?

Por 17 / 09 / 2011

Desde o momento em que as mulheres ingressaram em massa no mercado de trabalho têm passado por algumas situações que as impedem de ter uma real igualdade entre elas e seus colegas homens. As situações mais corriqueiras são a desigualdade no plano de carreira, na remuneração e nas oportunidades, mas há também um problema profundo,  tão encoberto que sequer são citados, como o assédio sexual no ambiente de trabalho.

Com um pouquinho de curiosidade fomos pesquisar em um dicionário; a própria origem da palavra nos dá uma dica: assédio vem do latim obsidere, que significa ‘pôr-se diante’, ‘sitiar’, ‘atacar’.

 

Como identificar a situação de assédio

É claro que o assédio é sempre uma ação de poder, ou seja, o assediador é um superior hierárquico da pessoa assediada. Nada mais é que uma proposta ou uma insinuação sexual repetida e não desejada por uma das partes. Essa proposta ou insinuação pode ser verbal, subentendida, gestual ou física. A partir disto fica claro concluir que o assédio sexual também é uma chantagem do tipo “se você não fizer o que eu quero, posso te prejudicar.”

O que diz a Organização Internacional do Trabalho?

A OIT é um órgão das Nações Unidas (ONU) e caracteriza assédio sexual no trabalho quando há presença de uma das seguintes particularidades atingindo a pessoa assediada:

 

• ser claramente uma condição para dar ou manter o emprego;

• influir nas promoções e/ou na carreira;

• prejudicar o rendimento profissional;

• humilhar, insultar ou intimidar.

 

A pessoa não é culpada pelo assédio

Muitas vezes a mulher fica com a mente atordoada e se pergunta coisas do tipo: “será que eu estou me vestindo da maneira errada?”, “será que eu dei algum sinal para que ele avançasse?”, ou ainda os próprios colegas de trabalho em atitude machista insinuam que a única culpada pelo assédio são as próprias vítimas, pela maneira de se comportar, de se vestir. Entretanto, devemos enfatizar que assédio não é uma forma de flertar, mas uma chantagem exercida por alguém hierarquicamente superior.

 

Assédio não é flerte

Não podemos confundir assédio sexual com flerte, paquera ou cantada. Lutar contra o assédio não é impedir que haja atração entre colegas de trabalho e que eles se relacionem, é claro que este tipo de ambiente requer maior discrição, mas devemos ter em mente que o assédio nunca é recíproco, ele sempre alia os sentimentos de desejo e poder apenas de um dos lados. É a mesma coisa que uma barganha, um favor sexual em troca de alguma coisa.

 

Violência e crime

O assédio é uma forma de violência uma vez que coage a vítima. Ele geralmente é repetitivo, a estratégia do assediador é de convencer pela insistência. Desde maio de 2001 nossa legislação passou a tratar o assédio sexual como crime, previsto no artigo 216-A do Código Penal Brasileiro, punido com detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos.

 

As consequências

Muitas mulheres que sofreram assédio tiveram suas carreiras destruídas ou perderam seus empregos ao dizerem não ao assediador. Aliado a isso sofreram danos emocionais, tais como estresse, perda de concentração, insegurança, baixa auto-estima; também sofreram danos de ordem profissional, pois faltam mais ao trabalho e têm o salário reduzido.

 

O que fazer em caso de assédio?

A primeira coisa, e a mais importante é romper o silêncio. Sair da posição submissa e dizer NÃO ao assediador, além de providências como:

 

• contar para as/os colegas o que está acontecendo;

• reunir provas, como bilhetes, presentes e outras;

• arrolar colegas que possam ser testemunhas;

• reportar o acontecido RH da empresa;

• reportar o acontecido ao Sindicato;

• registrar queixa na Delegacia da Mulher e, na falta dessa, em uma delegacia comum.

 

Para acabar de vez com essa violência

Lutar contra o assédio sexual não é uma guerra entre homens e mulheres. Essa é uma luta de todos, inclusive de homens que têm esposas e filhas que trabalham fora; para todos aqueles que desejam um ambiente de trabalho agradável e por um mínimo de coerência querem justiça.

A luta contra o assédio faz parte da luta pelos direitos de todos os seres humanos para um mundo melhor.

 

Por: Annally A. Lima

 

Helen Rauen

Relações Públicas, bancária e auto-maquiadora nas horas vagas. Perfeccionista, consumista, chef de sua própria cozinha e com uma pitada de artesanato na veia.

Confira todos os artigos de AUTOR
Seja o primeiro a comentar em Assédio Sexual no Trabalho: O que fazer?
Deixe seu comentário:





Procurando algo?

Assine nossa newsletter

Instagram