Cicatrizes de um relacionamento

Por 15 / 10 / 2011

Minhas pernas tremiam sem parar enquanto diante dos meus olhos tudo aquilo que eu acreditei e construí em dois anos ruía sem que eu nada pudesse fazer. Ele estava com outra mulher. Ele estava com outra mulher na nossa cama.

Das minhas mãos escaparam as sacolas do supermercado, deixando virar em pedaços a garrafa de vinho que havia comprado para celebrar nossa data, nosso dia abençoado, nosso dia agora eternamente amaldiçoado. O dia em que ele havia conquistado meu coração. O dia que ele havia estraçalhado meu coração.

Se não havia mais amor, por que nenhuma palavra foi dita? Por que me fez descobrir que nosso amor acabou vendo que seu corpo não pertence só a mim? Por que eu nem desconfiava que nossa história estava chegando ao fim? Diga alguma coisa! Mas eu mesma não conseguia pronunciar absolutamente nada, e se, da minha boca, saísse qualquer som, certamente pareceria uma língua alienígena.

Na minha cabeça o caos estava instaurado. Meu coração inundado de tristeza, de dor, de decepção enquanto aquele homem que eu havia amado mais do que tudo me fazia de idiota. Enquanto aquele homem a quem havia entregado minha vida ignorava nosso amor, desrespeitava nossa história sobre os nossos lençóis.

Ela se levantou sem dizer nada, tinha aquele maldito corpo escultural que eu nunca tive, aqueles malditos cabelos perfeitos que eu nunca tive, e certamente teve o homem que eu também nunca tive. Ela se vestiu e saiu, cuidando para não pisar nos cacos ou no vinho. Pelo menos ela respeitava meu tapete.

Fiquei ali, parada, olhando para ele, imóvel na cama. Ele não disse nada também. Nenhum dos dois disse. A última vez que ouvi a voz dele foi naquela manhã, quando liguei para o seu escritório falando pequenas safadezas pelo nosso aniversário. Nunca mais nada foi dito, nem para o bem, nem para o mal.

 Suas recordações foram para o fundo do baú da minha memória, minhas roupas foram para uma mala e depois para o armário na casa dos pais. Eu era viúva. Eu me sentia viúva. Eu preferia imaginar que ele estava morto a lembrar que ele havia jogado tudo o que construímos no lixo, junto com os ingredientes do jantar que eu pretendia fazer para nós naquela noite. Ele havia nos matado, mas eu ainda estava viva, e não poderia me enterrar juntos com a gente.

Enterrei ele. Lá no fundo, bem longe da superfície. É melhor que fique lá. Não posso voltar no tempo, não posso impedir que ele entre na minha vida, não posso apagar dois anos da minha história. Mas posso seguir em frente.

Não, ainda não consegui. Ainda choro ao lembrar seu rosto, sua voz, teu toque, seus beijos. Me consola saber que o erro não foi meu, mas não o bastante pra curar a ferida. Talvez essa ferida nunca se cure. Só o tempo dirá.

Helen Rauen

Relações Públicas, bancária e auto-maquiadora nas horas vagas. Perfeccionista, consumista, chef de sua própria cozinha e com uma pitada de artesanato na veia.

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2 Comentários em Cicatrizes de um relacionamento
  • Nanna disse:

    É muito complicado se dedicar a alguém que na verdade não existe, há seis anos conheci um rapaz! Na época eu adorava baladas curtição e ele também nós eramos muito jovens.Ao decorrer de nossa amizade começamos a nos encontrar, me sentia muito bem com sua presença e foi aumentando meu carinho por ele.
    Não demorou nem 6 meses descobri que ele saia com muitas outras meninas.
    Decide não brigar, simplesmente recuar estava gostando demais dele e sabia que ia me machucar e o que ele me proporcionaria não era o que eu queria pra minha vida. Começei a namorar um cara muito diferente dele, mas que tinha muito ciumes de mim e que não deixava eu viver as coisas que eu queria na vida social e nem profissional. Durante 3 anos e meio nunca esqueci o outro.Ele sempre deu um jeito de me procurar e se fazer presente.
    Acabamos por nos reeencontrar e eu não tive duvidas queria ele na minha vida! Já se passaram 1 ano e nove meses dessa decisão que tomei.
    Após um ano descobri que ele já tinha me traido..terminei mas não consegui ficar mais que 20 dias sem ele voltei! Apartir daí nunca mais confiei nele. As atitudes dele aos poukos foram me mostrando que na verdade ele não mudou, acesso a emails escondido, celular sempre no bolso, quando não desligado, ia varias vezes ao banheiro e demorava (estava trocando mensagens com outras) saia com varias mulheres, até com pessoas que me conhecem… Sempre fui atras, nunca me deixei por dormir com dúvidas. Isso foi motivo de muitas brigas. Ele sempre me tratou bem, sempre foi presente, passava varios dias da semana comigo em minha casa. Ele nunca teve hora e nem lugar pra trair.
    Tenho um amor imenso por ele, saber q tem outras pessoas me machuca muito! Não é o que quero pra mim, mas parece que superar ou desistir é o mesmo que sentir uma dor imensa. Ele sempre tentou contornar as situações, mas tem uma hora que não dá neh… todas as vezes que percebo que tem uma liberdae a mais eu bato de frente com for até a verdade aparecer, briguei com muitas pessoas, xinguei varias meninas… dentre uma delas há dias quando eu tive a mesma atitude a mãe dela entrou no meio e foi quem me disse: Ele vem atras dela, ele a procura eu atendo a ligações dele.
    Ela é uma vagabundinha que saia com vários caras, ele sem novidade não presta! Ela me conhece e quando fui falar pra ele que já sabia, ele negou. Até colocalo na parede e ele me disse: Quero ficar em paz com vc, vamos viver juntos e esquecer o resto lá fora…Não sei se estou pronto para um relacionamento, não magoar e nem decepcionar você por que Te amo. Não entendo que amor é esse! Se alguém puder me explicar eu agradeço.

  • Maya Falks disse:

    Pois é Nanna, o amor é algo muuuito complicado. Sou “à moda antiga”, acredito naquele amor tradicional, do casal que vai envelhecer junto e feliz. Mas a vida real é um tanto mais complexa que nossos sonhos de infância. Conheço uma pessoa que, certa vez, me disse que se sentia um tanto deslocado do mundo porque o seu jeito de amar era bem peculiar: quanto maior o amor, maior a distância que precisa ter entre essa pessoa e o sujeito objeto do seu amor. Depois disso abri minha mente e comecei a perceber que o amor não tem regras. Não é menos doloroso para quem acredita no amor tradicional, isso eu sei de experiência, é quase impossível não se revoltar ou se entristecer, ou se questionar e talvez até tentar se comportar do mesmo jeito, mas aí é o momento em que você tem que ser verdadeira com você mesma.
    Você o ama, certo? Você não imagina sua vida longe dele, certo? Tentou viver outro amor e acabou se envolvendo com alguem te machucava ainda mais, certo? Pois bem, a má notícia é que inconscientemente você se boicota, você se envolve com pessoas “piores” que ele para se convencer que ele é ótimo, e sobre isso você não tem controle.
    Tente pesar a dor e a alegria. Enquanto a alegria de tê-lo ao seu lado for expressivamente melhor, ainda estará valendo a pena. Se a balança inverter, talvez seu coração esteja tentando tomar um novo rumo.
    Amor só acaba ao natural, infelizmente. Enquanto seu coração o quiser, ele será do seu amado.
    Mas sim, existe mesmo uma boa chance de essa ser a maneira dele de te amar, não que esteja certo ou que eu concorde. Consulte sua alma. Se você se sentir segura do amor que ele tem por você, o resto é só teste ao seu sentimento.
    Espero ter ajudado!
    Boa sorte!
    Beijos…

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