Divas Anônimas – Olga Kotelko

Por 18 / 10 / 2011

Um caso de estudo. É essa, literalmente, a situação da diva Olga Kotelko, filha de imigrantes ucranianos radicados no Canadá. Ela tem 92 anos e é um fenômeno do atletismo. Tudo começou com uma desilusão amorosa no casamento. Já divorciada, Olga mudou-se para Vancouver para criar as duas filhas. Em meio a uma cidade tão ligada ao esporte, ela demorou, mas acabou descobrindo o atletismo. “Havia um clube de atletismo para veteranos no meu bairro, e eu olhava e pensava: nossa isso é muito difícil. Não era para alguém da minha idade. Então um dia fui assisti-los em uma competição e vi uma mulher jogando algo da altura do pescoço, era um arremesso de peso. Pensei, se ela consegue, também consigo. Foi assim que comecei”, ela conta.

Olga no salto em distância

Ela tinha 77 anos e, claro, foi aconselhada pelos médicos a procurar uma atividade física mais leve. O que eles não sabiam, era que Olga é diferente. Aos 79 anos participou de sua primeira competição e foi muito superior a todas as outras adversárias, de mesma faixa etária. Ela arremessou um dardo 10 metros a mais que as outras competidoras. E não parou por aí, hoje ela possui mais de 20 recordes nas mais diversas categorias: arremesso de dardo, peso, disco, martelo e corridas de 100 e 200m – nessa, seu tempo (56s46) é quase 15 segundos menor do que a segunda colocada (1m09s09).

O desempenho tão superior de Olga chamou atenção dos cientistas da Universidade McGill, que resolveram estudá-la, para tentar explicar esse fenômeno do atletismo. Olga teve ser corpo todo mapeado e um pedaço de músculo foi retirado para análise das células. “Os músculos de Olga, quando você olha, não parecem de alguém com 90 anos. Eles têm 60, 70 anos no máximo. Por quê? Esse é o grande mistério”, afirmou Tanja Taivássalo, professora e pesquisadora da Universidade McGill. “Tipicamente o que vemos a partir dos 70 anos é de 1% a 2% de células mortas, por causa de defeitos na mitocôndria. Isso deixa os músculos mais fracos. Em Olga, não vimos nada disso. É impressionante”, completa.

O brasileiro Dilson Rassier, também professor e pesquisador da Universidade McGill estende a importância do caso de Olga: “acho que vamos acabar derrubando vários dogmas, que podem ou não impedir pessoas de fazer atividade física, pessoas com idade avançada, com certas doenças neuromusculares. Só tende a melhorar a qualidade de vida dessas pessoas num futuro próximo”.

Olga é um exemplo de que nunca é tarde para começar, e nem parar! “Com o envelhecimento fui aprendendo o valor do tempo. Escolhi ser uma atleta de coração jovem em vez de uma velinha problemática. Acredito de verdade que nunca é tarde para alcançar uma boa saúde. Mas você tem que trabalhar para isso, não vai acontecer do nada”, aconselha a diva.

Conheça um pouco mais sobre Olga, no vídeo a seguir.

Helen Rauen

Relações Públicas, bancária e auto-maquiadora nas horas vagas. Perfeccionista, consumista, chef de sua própria cozinha e com uma pitada de artesanato na veia.

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