Elas tem o poder. Será?

Por 11 / 04 / 2012

Começou toda uma onda de “as gordinhas são as melhores” e não, não acho ruim, mas pondero sobre algumas coisas que quem compartilha talvez não pare pra pensar: o que é uma gordinha pra você? Vejo por aí mulheres lindas, com um corpo maravilhos sendo chamadas de gordas por terem gordura corporal maior do que a de um nabo. Daí fica fácil dizer que gosta de gordinha, né?

A vida real é um pouco diferente dos moralismos do facebook que dificilmente se escapam às montagens com fotos e textos, geralmente repletos de erros gramaticais e entram na vida cotidiana de quem compartilhou.

Sou gordinha. Tá, admito, sou gorda mesmo, mas já fui gordinha, inha mesmo, e isso não mudou em nada minha realidade cheia de frustrações e preconceitos gratuitos. Então deixa eu contar como é a vida real: a mulher gorda dificilmente atrai olhares de desejo, na maioria das vezes em que alguém a olha é com “tom” de reprovação. Por isso defendo a tese de que a grande maioria dos defensores da beleza das gordinhas no facebook só o fazem por ali, quando muito, porque na balada, continuam disputando as gostosas a tapa.

E muitas vezes nem no facebook conseguem manter sua admiração. Explico: uma mulher gorda posta fotos toda produzida, linda, bem arrumada, radiante. Duas ou três pessoas curtem, incluíndo a melhor amiga e o melhor amigo gay. Talvez ela tenha alguns comentários, também dois ou três, dependendo da popularidade dela entre os amigos. Uma magra (nem precisa ser bonita) posta uma foto acordando, lá se vão dezenas (senão centenas) de curtidas e mais um monte de macho sedento postando comentários como “ô lá em casa”.

Não, não tenho inveja desse tipo de comentário escroto, nem falo por mim. Tenho uma conhecida que é modelo plus size, linda, fotogênica e, apesar de ela arrancar muito mais curtidas e comentários do que eu, ela ainda perde de um monte de mulher meia boca e magra que vejo por aí. Por quê? Bom, é meio óbvio, né?

As vezes essas publicações de face me enchem de esperança de que não vou precisar viver de alface pra provar pros outros que não sou desleixada nem feia. Aliás, seria lindo demais viver minha vida sem provar nada pra ninguém, mas vivemos em sociedade e não raro me pego tendo o prato vigiado ou vejo olhares de reprovação se estou comendo um chocolate.

Se tem gente por aí querendo defender mesmo o fim da ditadura da magreza exagerada, já é sem dúvida um grande começo, e eu fico feliz por isso, mas que seja genuíno, que seu conceito de gordinha seja coerente com a realidade, e que se você realmente curte e respeita, demonstre na vida real. Compartilhar montagem de facebook não é engajamento.

Vou testando no dia-a-dia essa teoria de que as gordinhas estão ganhando espaço. Por enquanto a coisa não é tão simples assim.

Aos moralistas de visao distorcida, fica a mensagem: não apoio, não defendo nem incentivo a obesidade, só defendo o respeito, espero ter deixado isso bem claro.

Helen Rauen

Relações Públicas, bancária e auto-maquiadora nas horas vagas. Perfeccionista, consumista, chef de sua própria cozinha e com uma pitada de artesanato na veia.

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3 Comentários em Elas tem o poder. Será?
  • Patrícia disse:

    Maya, disseste tudo e mais um pouco. Realmente a hipocrisia corre solta na sociedade.
    PS: Parabéns pela coluna, maravilhosa.

  • Caroline disse:

    Puxa! Gostei muito do seu texto! (É tão difícil achar um texto coerente e respeitoso sobre o assunto na Internet ^^) Eu adorei! E concordo! Eu não vejo esse poder todo… Não apoio a obesidade, por outro lado, me preocupo com minha saúde!
    E tem tanta mulher plus size mais bonita que muita magra por aí, né verdade? 😉
    Parabéns!

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