Reação

Por 08 / 12 / 2011

Me disseram um dia que perder amores é algo que faz parte da história de vida de qualquer ser humano. Pois com pedaços estraçalhados do meu coração caindo pelas beiradas das minhas mãos eu defendo que isso não está certo. Não com certos tipos de amor. E bato o pé feito criança, faço birra, choramingo e, por fim, jogo-me aos prantos no colo de minha mãe, como todo bom pé na bunda deve ser.

Não, não deve! Por que tem que ser regra ser descartado pelo menos uma vez na vida? Onde está escrito que você deve chorar até secar alguma vez na vida? Quem criou essa lei idiota que te obriga a amar a pessoa errada pelo menos uma vez na vida? Pena de morte a esse malvado!

As lágrimas vão rolar, as pessoas são diferentes umas das outras e por maior que seja o amor, nenhuma relação vive somente dele. Algum dia um de nós vai embora. Sempre algum dia um de nós vai embora, e nem sempre o amor realmente acabou. O meu não, e isso não impediu de ver meu conto de fadas virar pó.

Não sei por que terras andam meus sonhos, sei que fui fragmentada entre corpo, alma e coração, e o único que avisto do alto dessa colina é o corpo, que anda em círculos completamente perdido, cego, tateando no escuro a procura do resto para seguir seu caminho. Dá pena de ver. E não só em mim.

Me disseram que dói. Me disseram que é realmente chato, feio e bobo o sentimento de ver tudo se desfazer no ar, mas dizer não dá a dimensão. Nem as doloridas injeções no bumbum da remota infância doíam tanto. Nem fechar o dedo na porta, nem bater a cabeça na estante ou chutar o pé da mesa com o mindinho é capaz de produzir tanta dor.

Mentiram pra mim. Disseram que doía mas nunca me disseram que era tanto. Se reinventar todo dia para refazer seus sonhos dá tanto trabalho que bocejo enquanto penso que o pesadelo não vai acabar quando o despertador tocar. O sonho bom que tive com você sim.

Mas quer saber? Também me disseram que um dia passa. Um dia pode ser um dia qualquer, certo? Então esse dia qualquer pode ser hoje? Pode? Pode? Diz que sim, vai…

Um dia passa. Mas amor que é amor não passa nunca, e o coração está sempre pronto pra bater mais forte. O meu está. Como diz a canção “quero que saiba que escrevi seu nome dentro do meu coração”. Quer saber? Fui muito além, escrevi seu nome na minha vida. Bem feito, não adiantou você ter ido embora – você ainda faz parte da minha história.

Fica por aí mais um pouquinho, pode ser que a gente faça valer a pena, como sempre foi, como sempre fez. Esquece essa regra boba de que temos que dilacerar o coração uma vez na vida. Vamos ser a exceção. Eu topo, e você?

Helen Rauen

Relações Públicas, bancária e auto-maquiadora nas horas vagas. Perfeccionista, consumista, chef de sua própria cozinha e com uma pitada de artesanato na veia.

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