Talento para a inveja

Por 07 / 10 / 2011

Era uma vez, há algum tempo atrás, uma moça chamada Luisa*.

Luisa era uma moça de boa família, com seus vinte e poucos anos, que estudava em uma faculdade no interior do Estado. Era uma moça bonita, bem articulada e que fazia amigos com uma certa facilidade. Mas fazia inimizades com a mesma facilidade.

Luisa tinha um problema sério: não conseguia ver a felicidade dos outros. Ver os colegas recebendo elogios era mortal para ela. Se suas notas não eram mais altas, “tem alguma coisa errada ali, meu colega deve ser protegido dos professores”. Se não era a moça mais desejada pelos rapazes, “deve ser porque a outra lá já foi com todos eles, ela deve ser fácil”. Se um colega fazia um trabalho que ganhava expressão e admiração, “aposto que contratou alguém pra fazer”.

Um dos hábitos de Luisa era usar roupas de preço mais elevado para com isso tentar se diferenciar das colegas. As que usavam roupas mais simples sofriam uma espécie de “linchamento moral” por parte dela. “Fulana tem o corpo tão bonito… pena que não use roupa de marca”.

Luisa não era nada colaborativa nos trabalhos em grupo. Deixava seus afazeres para a última hora sempre, faltava à maioria das aulas e colava em quase todas as provas. Fatalmente ia mal nas notas finais e, para aliviar a própria culpa, acusava os professores de terem tentado prejudica-la por razões estapafúrdias.

Mas Luisa não parava por aí. Ela inventava mentiras para denegrir colegas e amigos. Mais do que imaginar situações que confortassem sua inveja pelo sucesso alheio, ela exteriorizava essas “teorias”, para com isso trazer os outros para o seu lado e torná-los inimigos dos colegas bem sucedidos.

Acontece que Luiza fez isso com todos, e logo sua má fama se tornou conhecida. Ela já não era de confiança, e as balbúrdias que lançava já não recebiam mais crédito de ninguém. Além de invejosa, Luisa se tornou solitária pois, mesmo que todos continuassem a conversar com ela, já não caíam mais em suas mentiras venenosas. Por tabela, nem em suas verdades eles acreditavam, mais.

Luisa era insegura a ponto de só se sentir bem quando, de alguma maneira, era superior àqueles que a cercavam – por isso ela criava as situações que os rebaixavam. Era preguiçosa a ponto de não fazer nada para se sobressair perante os demais; era mais simples denegrir os outros, e mais divertido também.

Luisa não tinha amigos. E precisava desesperadamente de um psicólogo.

Você conhece alguma Luisa?

Helen Rauen

Relações Públicas, bancária e auto-maquiadora nas horas vagas. Perfeccionista, consumista, chef de sua própria cozinha e com uma pitada de artesanato na veia.

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